A taxa de esforço estimada para a aquisição de uma habitação de dimensão mediana por um trabalhador com salário médio atingiu 73,5% na Região Norte, segundo um relatório da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte.
O valor compara com 52,5% em 2011. Em municípios como Porto, Póvoa de Varzim e Espinho, a aquisição de habitação aproxima-se ou ultrapassa praticamente a totalidade do rendimento disponível de um trabalhador com salário médio.
Não é falta de casas, é desalinhamento
A principal conclusão do estudo "Norte Estrutura" é que a pressão recente sobre os preços da habitação no Norte resulta menos de uma escassez absoluta de alojamentos e mais de desalinhamentos territoriais entre a oferta mobilizável e a procura, além da reduzida disponibilidade efetiva de parte do stock habitacional existente.
Do lado da procura, o relatório mostra que a dinâmica do mercado foi dominada pela mobilidade residencial. Em 2024 e 2025, os anos de maior aceleração dos preços, o número de transações de alojamentos foi, respetivamente, 6,6 e 4,5 vezes superior à criação de novos agregados domésticos, o que evidencia que a procura resultou sobretudo de mudanças de habitação entre famílias já existentes, não apenas de novos agregados a precisar de casa.
Políticas diferenciadas por território
A CCDR-N defende que são necessárias medidas específicas para cada território, uma vez que o simples reforço da oferta, por si só, não é suficiente para mitigar as tensões existentes nos concelhos mais pressionados.
O relatório surge num contexto em que também mudam as regras de crédito à habitação a nível nacional: o limite de referência da taxa de esforço desceu de 50% para 45%, e os prazos máximos passaram a 40 anos para mutuários até aos 35 anos e 35 anos para os restantes, medidas em vigor desde agosto de 2026.
