A agência de rating DBRS Morningstar prevê que o desequilíbrio entre oferta e procura no mercado habitacional português deverá persistir.

Segundo um relatório divulgado a 1 de junho de 2026, a disparidade deverá manter-se enquanto os fundamentos económicos de Portugal continuarem sólidos e o número de novas construções se mantiver em níveis estruturalmente baixos face à procura, tanto de residentes como de não residentes.

Os preços da habitação continuaram a subir: o índice de preços do Eurostat aumentou 18,9% em termos homólogos no 4.º trimestre de 2025, ainda que o volume de transações tenha estabilizado ao longo de 2025.

Índice de preços, Eurostat, 4.º trim. 2025+18,9% homólogo
Aumento do custo de construção, fevereiro 2026+4,7%
Défice habitacional estimado, Portugal+300 mil
Défice habitacional estimado, Espanha+700 mil

Custos de construção como travão à oferta

Do lado da oferta, a DBRS aponta o aumento dos custos de construção como um fator decisivo na restrição do mercado, com uma subida de 4,7% em fevereiro de 2026 face ao ano anterior. Há sinais iniciais de recuperação, mas o desfasamento entre o licenciamento e a conclusão efetiva das obras faz com que o desequilíbrio deva persistir no médio prazo.

Sem risco de bolha, segundo a agência

Num relatório posterior, a 25 de junho, a DBRS quantificou o défice habitacional acumulado em mais de 300 mil casas em Portugal, um número que sobe para mais de 700 mil em Espanha. A agência afasta, no entanto, o risco de bolha imobiliária, considerando que as restrições estruturais da oferta são difíceis de inverter e devem continuar a sustentar os preços, em vez de provocarem uma correção abrupta.

Nota de verificação Os números citados baseiam-se em dois relatórios da DBRS Morningstar publicados em junho de 2026, a 1 e a 25 desse mês. A leitura de "sem risco de bolha" é a interpretação da própria agência de rating, não uma garantia de evolução futura dos preços.