O Banco Central Europeu subiu as taxas de juro diretoras em 0,25 pontos percentuais a 12 de junho de 2026, a primeira subida desde setembro de 2023.
A decisão inverte um longo ciclo de cortes: entre junho de 2024 e o início de 2026, o BCE tinha feito oito cortes consecutivos, seguidos de uma pausa de sete reuniões. A subida de junho surge para tentar prevenir uma espiral inflacionista impulsionada pela guerra no Irão.
O choque energético provocado pelo conflito, com a paralisação do Estreito de Ormuz, por onde passa quase um quinto do petróleo e gás mundial, fez a inflação anual na zona euro subir para cerca de 3,2% em maio de 2026, o quarto aumento mensal consecutivo, puxado sobretudo pela energia, com uma subida homóloga de cerca de 10,9%, e pelos serviços, com +3,5%.
A Euribor já vinha a antecipar o movimento
Antes da decisão do BCE, as taxas médias mensais da Euribor já vinham a subir, mais nos prazos mais longos. A Euribor a 12 meses fixou-se em 2,747% em abril de 2026, mais 0,182 pontos percentuais do que em março, que já tinha registado um dos maiores aumentos dos últimos três anos.
Impacto na economia e no crédito habitação
O Banco de Portugal reviu as suas previsões, projetando a Euribor a 3 meses a subir para 2,4% este ano, com a inflação a fixar-se em 3,1%. Para o investimento em habitação, o banco central prevê um crescimento médio de apenas 2,4% entre 2026 e 2028, uma revisão em baixa face aos 2,6% previstos em março.
Para quem tem crédito habitação com taxa variável, uma subida das taxas de referência pode traduzir-se num aumento da prestação na data de revisão prevista no contrato. Em contrapartida, juros mais elevados tendem a favorecer a remuneração de depósitos e outros produtos de poupança.
