Os preços da habitação em Portugal continuam a subir, mas, pela primeira vez em quase dois anos, o ritmo abrandou.
Segundo o Instituto Nacional de Estatística, no 1.º trimestre de 2026 os preços da habitação subiram 17,8% em termos homólogos, menos 1,1 pontos percentuais do que no trimestre anterior. É a primeira desaceleração trimestral registada desde meados de 2024.
A subida continua a ser puxada com mais força pelas casas usadas, que valorizaram 19,7% em termos homólogos, do que pelas casas novas, com um aumento de 12,6%. Em termos de variação trimestral, o índice avançou 3,8%.
Um sinal, não uma inversão
Analistas do Banco de Portugal, citados no Boletim Económico de junho, apontam para uma estabilização das pressões sobre os preços associada à recuperação da construção nova, mas sublinham que o desequilíbrio acumulado entre oferta e procura ao longo da última década, avaliado em cerca de 300 mil fogos, não se resolve num único trimestre.
O responsável de uma associação de promotores imobiliários, citado pelo Jornal Económico, foi mais cauteloso, considerando que ainda falta muito caminho para se poder falar de uma estabilização efetiva do mercado.
Porque este número é diferente do preço mediano
Este índice de 17,8% é uma medida hedónica, calculada pelo INE a partir de um modelo estatístico que ajusta as características de cada imóvel. É diferente do preço mediano por metro quadrado, outro indicador também do INE, que mede diretamente o valor das transações realizadas.
