Portugal acumulou um défice habitacional de cerca de 300 mil fogos ao longo da última década, segundo o Banco de Portugal.
O número corresponde ao diferencial entre a nova oferta de habitação criada nos últimos dez anos e aquela que teria sido necessária para responder ao aumento da procura. O governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, classificou-o como "verdadeiramente impressionante".
Para ilustrar a dimensão do problema, o banco central compara o défice a praticamente tantas casas quanto as que hoje existem no concelho de Lisboa, ou mais do dobro das que há no Porto.
Um hiato que travou, mas não fechou
Segundo o Boletim Económico de junho do banco central, o ritmo de construção insuficiente da última década gerou o défice de 300 mil habitações, mas esse hiato foi travado em 2025. O relatório considera que esta convergência deverá contribuir para uma estabilização das pressões sobre os preços associadas a fatores demográficos.
Os analistas do banco central alertam, no entanto, que esta inversão é apenas um primeiro passo. Um défice acumulado ao longo de uma década não se apaga num único ano.
Comparação com Espanha e a média europeia
Um estudo do Banco de Espanha, citado pelo Financial Times, situa o défice português em cerca de 300 mil casas entre 2021 e 2025, o equivalente a 6,6% dos agregados familiares existentes no país em 2025. Em Espanha, a diferença acumulada é estimada em 750 mil habitações, ou 3,7% dos agregados familiares. Na média da zona euro, o valor corresponde a apenas 0,5%.
O Banco de Portugal aponta três fatores estruturais por trás do desequilíbrio: um choque demográfico, uma oferta que reage lentamente, e a forte atratividade da habitação como aplicação de poupança.
A ênfase deve ser colocada em medidas do lado da oferta, dado que a falta de oferta está na origem do défice acumulado.
